type: book
id: a-paixao-segundo-g-h--clarice-lispector
title: A Paixão Segundo G.H.
author: clarice-lispector
year: 1964
pages: 192
language: portugues
format: novel
reading_history:
  • date_start: 2025-10-09
    date_finish: 2025-11-17
    status: finished
    media: paperback
    language: portugues

resumao

ve uma barata e come, passa por uma trip de autoreflexao intensa

notes

a personagem principal, g.h. narra em primeira pessoa, sua vivência e reflexões. ela se dirige a alguem na segunda pessoa, assim é como se tivesse tratando diretamente com o leitor, colocando o leitor no papel desse interlocutor que pode ajudá-la a processar suas reflexões.

os capitulos são curtos, se conectam por frases chaves, que são temas ou pontos que ela vem a desenvolver. o livro é denso, tanto pelo estilo - fluxo de consciência - quanto pelos temas abordados e as ideias fragmentadas e até conflitantes.

o primeiro capitulo pode desencorajar o leitor mas a leitura vai ficando mais fácil depois dele. no geral, é um livro melhor de sentir em sua totalidade, que de entender cada parte isoladamente.

capitulo 0 - epigrafe

a complete life may be one ending in so full identification with the nonself that there is no self to die
bernard-berenson

capitulo 1 - estou procurando

como se explica que meu maior medo seja exatamente em relação a ser? […] so porque a vida não é o que eu pensava e sim outra — como se antes eu tivesse sabido o que era!

ela se sente covarde de se procurar, e achar essa organização anterior, que pode ser uma mentira, era essencial, mas não era algo que precisava, e reflete que o medo em relação ao ser é algo desenvolvido na vida adulta. na infancia não se tem esse medo.

é possivel ser feliz como prisioneira? a prisao / terceira perna, pode ser considerada uma verdade?

tema: forma. é preciso dar forma. o sono é a ausencia de forma.
forma

livre por não recear a falta de estética, perdeu o medo do feio.

forma | terceira perna | desorganização | o feio

capitulo 2 - um mundo todo vivo tem a força de um inferno

(p21) começa a revelar o que aconteceu: saia da sala para o quarto de empregada do seu apartamento. antes disso atardava-se a mesa do café. é um momento extremamente cotidiano: café, apartamento, empregada.

liberdade que dói: o viver sem fatos. sem forma.

os motivos de gravar, dar forma, engastar, esculpir sao apresentados, ao longo da ideia da liberdade que dói, da vida sem marido ou filho.

apresenta uma vida privilegiada, apto de cobertura. se acha o máximo. elabora sobre as aparencias que tem que ser mantidas, sobre como apresentar-se ao mundo, uma réplica bonita

" gravar | dar forma | engastar | esculpir"

capitulo 3 - so eu saberei se a falha foi necessaria

(p31) descreve o ambiente e seus atos antes de ir ao quarto de empregada. ela pediu demissão, g.h. explora a oportunidade de dar forma através do arrumar a casa, começandopelo quartinho. reflete como tudo o que estava vendo já fazia parte do que ia acontecer, de uma forma determinista

capitulo 4 - o corredor escuro que segue a area

um quadrilatero de branca luz

(p35) esperava quase como um desejo que o quartinho fosse escuro e sujo como um depósito. a ex-empregada já havia arrumado em nível acima do próprio apartamento

purity-and-danger--mary-douglas
https://en.wikipedia.org/wiki/PurityandDanger

a empregada deixou desenhos na parede, de um homem, mulher e criança, que g.h. interpreta serem sobre ela. o tema do sujo e o limpo, o gostar e não gostar, o subverso, são exploraos aqui. eu amo a sinceridade da propria mesquinhez, as pequenas contravenções ou atos destrutivos, a honestidade com a própria sujeira. nesse capítulo g.h. joga uma bituca no vão central do prédio, apreciando o ato próibido de sujar, e como seu status e aparência a afastam da presunção do crime.

g.h. odeia o quarto limpo, ela deseja destruí-lo, torná-lo imundo como ela imaginava ou mais. clarice põe um hábito de exagerar na personagem que eu acho ser muito recifense. quando fala de sujar o quarto diz que vai transformar em meu e em mim.

hiperbole-recifense

o quarto é e não é dela, é pequeno de forma que ela não cabe, mas é enorme de forma que não há começo nem fim.

porejar | o sujo

capitulo 5 - meu coraçao embranqueceu como cabelos embranquecem

(p45) capitulo crucial onde g.h. encontra uma barata no armário, que é enorme e grossa e passa perto do seu rosto. isso embranquece seu coração como cabelos embranquecem. isso a envelhece.

capitulo 6 - a barata começou a emergir

(p51) g.h. fala em contrastes extremos. a barata aparece pela porta do armário e ela fecha a porta achando que a matou, mas só a prendeu. encara a barata olho no olho

3 capitulo 7 - cada olho reproduzia a barata inteira

(p55) o quarto = laborátorio de inferno

g.h. começa a se transformar em barata, antes mesmo ou no processo de matar a barata.

pus | sangue | descida ao inferno | aceitação e repulsa | divino e infernal | calma e horror | repulsa e atração

capitulo 8 - o nada era vivo e umido

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