type: book
id: caderno-do-fim-do-mundo--cleyton-cabral
title: Caderno do Fim do Mundo
author: cleyton-cabral
year: 2025
pages: 230
language: portugues
format: novel
setting: pandemia
recognition:
reading_history:
  • status: finished
    media: paperback
    date_start: 2026-01-28
    date_finish: 2026-04-08
    language: portugues

" a sala de escritório é passagem, não a morada de um artista"
— a japa

{page: 17}

eu sei que morrerei sem conseguir ler todos os meus livros; isso é algo que já aceitei

{page: 33}

me vi, por um instante, entre aspas.

{page: 50}

" para que serve minha vida e o que vou fazer com ela?
não sei se sinto medo. não posso ler todos os livros que quero;
não posso ser todas as pessoas que quero e viver todas as vidas que quero.
e por qu eeu quero? "
— Sylvia Plath

pequenas-epifanias--caio-fernando-abreu

{page: 18}

cartas-a-um-jovem-poeta--rilke

{page: 18}

pai-pai--joao-silverio-trevisan

{page: 18}

reinvencao-da-intimidade--christian-dunker

{page: 18}

bjork

{page: 25}

hilda-hilst

{page: 21}

gal-costa

{note: agua viva}
{page: 28}

rubem-fonseca

{page: 29}

niki-de-saint-phalle

{note: arte com saquinhos de tinta que explodem na tela}
{note: [!] }

sombrio-ermo-turvo--veronica-sttiger

{page: 31}

meu-ano-de-descanso-e-relaxamento--ottessa-moshfegh

{page: 31}

os-amantes--amitava-kumar

{page: 31}

o-palacio-da-memoria--nate-dimeo

{page: 31}

renata-carvalho

{note: atriz trans}
{page: 39}

brasil-uma-biografia--lilia-m-schwarcz

{page: 60}

o-prazer-do-texto--roland-barthes

{page: 71}

estetica-da-criacao-verbal--bakhtin

{page: 71}

poesia-completa-e-prosa--joaquim-cardozo

{page: 72}

quarto-de-despejo--carolina-maria-de-jesus

{page: 72}

o-fogo-e-o-relato--giorgio-agamben

{page: 73}

o-pacto-autobiografico-de-rousseau-a-internet

{page: 75}

o-imoralista--andre-gide

{page: 77}

o-homem-de-fevereiro-ou-marco--rubem-fonseca

{page: 77}

miro-de-muribeca

{page: 79}

diario-da-pscina--luis-capucho

{page: 82}

devocao--patti-smith

{page: 83}

os-diarios-de-sylvia-plath-1950-1962

{page: 85}

sou-dona-da-minha-alma-o-segredo--virginia-woolf

{page: 85}

onde-andara-dulce-veiga--caio-fernando-abreu

{page: 102}

o-ovo-apunhalado--caio-fernando-abreu

{page: 102}

o-tedio-dos-dias-variados--joao-g-junior

{page: 102}

quis-dizer--moema-vilela

{page: 102}

a-dupla-vida-de-dada--moema-vilela

{page: 102}

a-teus-pes--ana-cristina-cesar

{page: 114} [!]

seminario-dos-ratos--lygia-fagundes-telles

{page: 162}

pedro-paramo--juan-rulfo

{page: 162}

cidades-invisiveis--italo-calvino

  • mãinha
  • utensílios

cadu que me perdoe mas no meio aqui do livro nao é tanto my cup of tea.

  • parece que cleyton é tomado de ideias prontas, do lugar comum do brasileiro. um lugar comum treinado em imaginario midiatico de tv. ou seja, meio babaca, meio afetado com a sua self-importance.
  • pergunta

    • como falar de um "lugar comum" que as pessoas vivem, um lugar comum meio populado de ideias que sao meio derivadas da "imagem" do que uma pessoa ou uma sociedade deveria ser, meio que o obvio, meio que o que se espera de uma noticia boa de um jornal fraco matinal: exemplo, uma pessoa decide doar cestas basicas durante a pandemia, acha que vai ser lindo, uma boa ação, quando chega numa rua cheia de pobres imundos, eles atacam as cestas, pegam tudo a força, sujos, e isso assusta a madame que "queria ajudar". a coisa é que essa ajuda foi tomada de uma ideia midiatica, de uma imagem televisiva do que seria esse ato.
  • resposta:

    Você está descrevendo duas coisas misturadas:
    
    1. esse “lugar comum” de ideias prontas;
    
    2. a colisão violenta entre essa fantasia midiática e a realidade concreta.
    
    Vou te dar alguns nomes/ângulos que podem te servir, dependendo do tom que você quer.
    
    Como nomear esse “lugar comum” 
    
    Para esse espaço meio abstrato, povoado de ideias derivadas de imagens de TV, redes sociais, discurso edificante, dá para ir por:
    
    - “imaginário coletivo” – é o termo mais direto: um conjunto de imagens, narrativas e clichês que uma sociedade compartilha sobre o que é “bom”, “bonito”, “correto”.
    
    - “lugar-comum ideológico” – enfatiza que não é só hábito de linguagem, é uma visão de mundo empacotada, pronta.
    
    - “roteiro midiático de bondade” – se você quer um jeito mais literário, quase irônico: a pessoa age não a partir da realidade, mas de um script de reportagem de TV.
    
    - “fantasia humanitária” – quando a pessoa se imagina protagonista de uma cena bonita, com pobres gratos, enquadrados e limpos.
    
    - “moral de telejornal matinal” – aquele pacote de ‘boa ação’ mastigado, onde tudo é simplificado para caber em 2 minutos de VT.
    
    Se você quiser algo mais conceitual, “imaginário humanitário” também funciona: é esse repertório de imagens (madame generosa, pobres ordeiros, gratidão limpa) que substitui o encontro real com o outro.
    
    O que está acontecendo na cena que você descreve 
    
    Na sua cena, a madame não está indo encontrar pessoas; ela está indo reencontrar a imagem mental que ela já tinha:
    
    pessoas pobres porém compostas, gratas, emocionadas, fila organizada, um momento de redenção pessoal.
    
    O que chega, em vez disso, é:
    
    - Miséria concreta: gente faminta, desorganizada, desesperada.
    
    - Violência estrutural: aquela rua “cheia de pobres imundos” não é um desvio, é o resultado direto de tudo que ela, como classe, ignora.
    
    - Colapso da fantasia: os corpos, o cheiro, o empurra-empurra destroem o “quadro” que ela esperava.
    
    Ela não está preparada para a realidade porque só conhecia a versão higienizada da miséria, aquela da “boa notícia de jornal fraco”. Ela queria performar um papel num teatro moral, não lidar com fome real. A ajuda dela foi guiada por uma imagem midiática de solidariedade, não por uma relação com aquelas pessoas.
    
    Como você pode formular isso em texto 
    
    Algumas frases que podem encaixar no que você está escrevendo:
    
    - “Ela não foi ao encontro dos pobres; foi ao encontro da sua própria fantasia televisiva sobre a pobreza.”
    
    - “A boa ação não nascia de uma relação com aquelas pessoas, mas de um roteiro moral pronto, tirado do telejornal da manhã.”
    
    - “Era um gesto pensado para caber numa matéria edificante, não para enfrentar a miséria concreta daquela rua.”
    
    - “A caridade dela habitava o lugar-comum do imaginário coletivo, onde pobres são limpos, agradecidos e enquadrados num final feliz.”
    
    - “O choque não foi com a violência dos famintos, mas com a ruína da imagem que a tinha levado até ali.”
    
    Se você me disser o contexto (conto, crônica, ensaio), posso ajudar a lapidar um parágrafo inteiro com esse conceito costurado de forma mais orgânica.
    
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