
um gato de clara morreu.
entao dei um pedacinho de frango para agata enquanto cozinhava hoje.
acho que a empatia pelo luto de alguem proximo faz relativizar um pouco suas regras, e mimar um pouco mais os seus.
tia monica está viajando, entao nao sei se ela sabe da história.
agata tem estado aqui em casa a maior parte do tempo, dormindo comigo, ou na cadeira que virou dela. é assim quando tia viaja. acordei ontem e nao a encontrei. fiquei sabendo de uma história que foi contada aos atropeços como é na linguagem familiar: agata foi levada para doar sangue para o gatinho de clara, que estava com algum problema ai. parece que os outros gatos disponiveis, de elis, todos sao meio fudidos de saude e nao podiam doar, ou tinham outro tipo de sangue, e luda não sei se cogitaram.
o dia foi passando e me bateu uma aflição sobre agata. pensei e se ela nao voltar? e fui ver a situação com elis. me ofereci a fazer companhia pois agata estava sozinha lá e clara também, esperando processos inescrutáveis de hospital de pet. entao elis ia me levar la no hospital, q eu aceitei embora um uber ou ir de bike seria infinitamente mais rápido (insira aqui história detalhada das mil atribuições de uma mãe de duas crianças, um adulto e 3 gatos)
no tempo dos afazeres de elis, clara ligou para avisar que a operação nao ia ocorrer hoje, pois agata tinha comido e tinha que ter ficado em jejum. chateação, aflição, atrasos, raiva do hospital. agata voltou. passou a noite comigo como de costume embora ainda re-reconhecendo o espaço e mais calada. comeu e depois começou um jejum para poder dar sangue no outro dia, mas de manhã clara avisou que não precisava mais, o gatinho dela piorou demais durante a noite.
então passamos um dia somrbio e reflexivo, eu e agata, e quando cozinhei (pra mim) dei a ela um pedacinho de frango(1)
mais tarde encontrei uma borboleta com asas lindas, preta e branca(2), no ultimo de suas forças, decidiu morrer dentro de casa. percebi que estava morrendo quando tentei devolver para o jardim e ela não quis se mexer, e mostrou dificuldades para se equilibrar.
o poema que estou lendo hoje de morte-e-vida-severina-e-outros-poemas-em-voz-alta--joao-cabral-de-melo-neto se chama o relógio e é sobre o tempo.
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1 ( p.s.: frango sem tempero né )
2 ( branco-amarelado-papel-de-livro-velho )
guardei no freezer para matar possiveis parasitas. depois deixei descongelar ao natural. abri as asas com cuidado com o papel manteiga e guardei dentro do livro com as asas abertas e envolta em papel manteiga para preservar as asas. iluminei, tirei as fotos, tratei, uploadei, postei.